Praia do Laboratório, Angra dos Reis

Muitos frequentadores da Praia do Laboratório, próximo as usinas nucleares de Angra dos Reis, nem imaginam que o local é testemunha de um grande desastre natural.
Em 1985, esse grande desastre natural alarmou o país, um deslizamento de terra gigantesco na face de trás do morro onde ficava a usina de Angra 1, Angra 2 ainda não havia sido construída.
Apesar de não ter atingido a usina de Angra 1, o desastre foi grande, abriu uma cratera na BR-101 (Rio-Santos), destruiu o laboratório de radioecologia da Eletronuclear e quase fechou a saída de água da refrigeração da usina, o que teria sido uma tragédia muito maior.
O medo de que o deslizamento tivesse atingido a usina era grande, muitos moradores saíram as pressas da cidade, por conta principalmente da desinformação e devido a proliferação de boatos, houve grande temor entre os moradores da cidade.
A avalanche de lama que veio abaixo destruiu a marina que havia no local assim como todas as embarcações, essa avalanche gerou uma onda gigante que cobriu a ilha em frente o local. Na época, o ocorrido ganhou as manchetes em todos os principais jornais do país, como o globo. 
O prejuízo foi calculado na época em 8 bilhões de cruzeiros. Os engenheiros responsáveis pela construção da usina nuclear não sabiam que o nome dado pelos índios continha informação sobre a estrutura do solo, minado pelas águas da chuva.
Só descobriram que Itaorna, em língua tupinambá, quer dizer 'pedra podre' depois do acidente. Nas fotos é possível ver a Praia Brava atualmente e como ficou após também ser atingida por uma enxurrada de água e lama.
Como já mencionado um outro local que sofreu com a instabilidade das encostas da região foi a Praia Brava que foi invadida por um rio de lama, este causou enorme destruição, conforme pode ser visto nas fotos.
Após esses eventos a usina prometeu rever o plano de emergência, conforme matéria publicada no jornal o globo.
Fato é que os dois acontecimentos demonstraram que o discurso é contrário a prática. Ao se optar pelo local, afirmava-se que a geologia do local era boa, e solo era estável.
Os nativos (índios), é que estavam certos. É comum deslizamentos de terra neste trecho, causando bloqueios na estrada. Veja as fotos.
Essa situação foi a pouco tempo questão do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). Fonte: O Globo, Eletronuclear, Ministério da Educação. Veja abaixo demais imagens do ocorrido, incluíndo a antiga pista de skate.
























Fazenda Grataú, Angra dos Reis

   
O nome da fazenda tem origem no rio que corta a propriedade, o Rio Grataú, que significa o Rio dos Caraguatás (Grata = Caraguatá e Ú = rio), Caraguatá é uma espécie de Bromélia encontrada na região. Esta propriedade foi uma importante fazenda do ciclo do café.
Está localizada próximo ao bairro Frade, a Fazenda Grataú foi edificada próxima a serra, onde havia caminhos que interligava o vale do Paraíba Paulista ao Porto do Frade.
Pelos caminhos desciam as tropas de Mulas carregadas de café para a exportação, e subiam objetos importados da Europa, e centenas de escravos para trabalharem nas lavouras cafeeiras.
A fazenda pertenceu à Henrique José da Silva, o Barão e Visconde de Ariró. Henrique foi coronel da Guarda Nacional e capitão do Batalhão de Infantaria; na vida política, exerceu cargos de deputado e vereador, além de ter sido chefe do Partido Conservador de Bananal SP.
Barão de Ariró, foi um título conferido por decreto imperial. Refere-se ao Rio Ariró, em Angra dos Reis, região onde o nobre possuía terras. Recebeu posteriormente o título de Visconde de Ariró, conferido por decreto imperial em 10 de junho de 1867.
Reza a lenda que teria acontecido um episódio dramático na fazenda, que culminaria na ruína do  Visconde de Ariró, fato teria ocorrido no dia 1º de outubro de 1880. Naquele dia um dos seus feitores, para mostrar zelo e dedicação, trouxe para defronte a residência do Visconde, um infeliz escravo, e ali começou açoitá-lo impiedosamente.
Aos gritos do pobre escravo que clamava misericórdia, o Visconde determinou que cessasse tal crueldade. Emocionado, sentiu-se mal e na mesma noite perdeu a fala, vindo a falecer em 3 de outubro de 1880.
A propriedade, que com o passar dos anos sofreu várias modificações, não está aberta a visitação, podendo apenas ser apreciada e fotografada pela BR 101, que passa em frente. Trata-se de uma propriedade particular, que poderia ser melhor aproveitada, por exemplo para o turismo rural, como um hotel fazenda. Tem toda a estrutura necessária, bastaria poucos investimentos em melhoria de suas instalações. Ainda assim, como verificado na história acima faz parte da história de Angra dos Reis.
Do lado oposto da sede da fazenda funciona à Escola Municipal Cecilia Mara Edileus Vieira. Fonte: UFF, PMAR, Jornal Maré.

Engenho Central do Bracuhy, Angra dos Reis

A antiga usina de Açúcar era conhecida como Engenho Central do Bracuhy e foi inaugurada dia 12 de Junho de 1885, com a presença do então Ministro da Agricultura, Conselheiro Antônio Carneiro da Rocha.
Em 1886 a firma, Souza Irmão & Cia, passou o controle do empreendimento à empresa Furquim Vapper & Cia.
O Engenho construído com material importado da Europa, nas terras da Fazenda de Santa Rita do Bracuhy, era um dos mais modernos da época, se destacava, pela sua forma de produção.
Seu sistema de difusão, a vapor, diferenciava, e muito, do esmagamento da cana em moendas. No final do século passado, entrou em decadência junto com a indústria de açúcar no Brasil.
Atualmente suas ruínas é um patrimônio histórico e cartão postal de Bracuhy, (grafia alterada).
A fazenda Santa Rita do Bracuhy pertenceu ao Comendador José Joaquim de Souza Breves, ou José Breves como era chamado, irmão do maior cafeicultor do Brasil na época, Joaquim de Souza Breves.
A fazenda funcionava como porto de recepção de africanos novos, inclusive no período ilegal do tráfico, e produzia cachaça para moeda de troca no comércio negreiro.
Com a morte do comendador José Breves em 1879, a fazenda é legada a Santa Casa de Misericórdia de Angra dos Reis e aos seus escravos, descritos nominalmente no seu testamento.
Foi aberto o testamento que ele havia ditado em 1877. Ele era um dos maiores donos de escravos na região.
Por isso, a surpresa: Breves, que não tinha filhos, alforriou todos os seus escravos, deu a vários deles pensões vitalícias e entregou-lhes duas enormes fazendas: a Fazenda Cachoeirinha, em Arrozal-RJ e a Fazenda Santa Rita de Bracuhy, em Angra dos Reis RJ. (foto acima, retrata o engenho em funcionamento).
Não era pouca coisa. De acordo com escrituras deixada por Breves, os mais de 290 alqueires geométricos doados por Breves aos escravos correspondem a mais de 1.400 campos de futebol. (foto acima o antigo engenho na década de 20).
E com mais de 2 quilômetros em linha de frente para o mar. Era uma autêntica libertação dos escravos com reforma agrária. Os descendentes de escravos de Arrozal ainda hoje vivem nas terras deixadas pelo fazendeiro. (foto acima o engenho em 1921)
Os escravos libertos do Bracuí, também viveram em paz por um bom tempo. Na década de 40 tentaram lhes tirar parte das terras à força, mas eles repeliram os invasores. (na foto creditada a esta mesma década, presença do ex-prefeito Salomão Reseck no local).
Os problemas começaram quando, em 1970, foi aberta a Rodovia Rio-Santos, que valorizou as terras, colocando os preços nas alturas, em especial as áreas à beira-mar. (na foto de 30.10.1976, Bijeck, Grego e Miguel Assad, nas ruínas do engenho).
 De repente, em 1975, surgiu a Bracuhy Administração, Participações e Empreendimentos Ltda., dizendo-se proprietária da margem de terra que dá frente para o mar e onde ficavam o porto e o engenho de cana. E, no cartório, a empresa de fato aparecia como proprietária. O que aconteceu? Trambiques após trambiques cartoriais, desde o Século XIX, surrupiaram as terras da plebe negra. (na foto de 1978 ainda não havia o condomínio)
 Para se ter uma ideia, em 1956 essas terras aparecem no espólio de Honorato Lima, que havia sido o inventariante de plantão dos bens deixados por José de Souza Breves. Os descendentes de escravos, após a Rio-Santos, foram forçados a sair da área onde a empresa construiria o luxuoso Condomínio do Bracuhy, com valorizado metro quadrado de venda. Homens armados intimidaram os descendentes dos escravos, eles foram proibidos de plantar no local e barragens em torno do Rio Bracuhy fecharam-lhes o acesso às terras que eram dos seus antepassados, de fato e de direito. (foto acima mostra o hoje valorizado condomínio).
Em 1978, com o apoio da Igreja e da FETAG (Federação dos Trabalhadores na Agricultura), os negros herdeiros da fazenda entraram na Justiça para reaver suas terras. Infelizmente apenas cinco famílias conseguiram comprovar a descendência dos escravos locais e conquistaram o direito a um ínfimo quinhão da enorme doação de José de Souza Breves.
Mas um dia uma santa alma há de descobrir como a raia graúda, que jamais pegou em uma enxada, conseguiu comprovar ser dona de terras que, por escrito, pertenciam a descendentes de escravos. Nas fotos é possível ver fotos das áreas da antiga fazenda, as ruínas do engenho, da igreja anexa. e a atual situação. Toda área do condomínio pertence por direito aos descendentes dos escravos libertos. (foto acima da BBC retrata a vida dos negros no campo).
MEDIÇÃO DA FAZENDA Sta. RITA DE BRACUHY
DOC. Nº 12 DE 7 BRº DE 1883 - ESCRm. M.V.GLZ.
312 ½ BRAÇAS DE TERRAS DE TESTADA, QUE FORAM DE ANTº ALVES CHAVES.ESTE ESPAÇO REPRESENTA A FAZENDA DE Sta. RITTA DE BRACUHY QUE PRINCIPIA NO MARCO DAS TERRAS DA VIUVA MARIA THERESA, E CONFINA NO MEIO DA LAVRA DO RIO BRACUHY.
É ESSA FAZENDA COMPOSTA DE 5 SESMARIAS CONCEDIDAS A DIVERSOS POR CARTAS DE SESMARIA CONCEDIDAS A DIVERSOS POR CARTAS RÉGIAS DE 15 DE JUNHO DE 1711, AS QUAES, EM ORIGINAL, EXISTEM EM PODER DO COMdor. JOAQUIM BREVES.
ESSAS SESMARIAS FORAM VENDIDAS AO BRIGADEIRO FRANCISCO CLÁUDIO DE ANDRADE POR ESCRIPTURA DE 18 DE JANEIRO DE 1805, E O BRIGADEIRO POR ESCRIPTURA DE 30 DE MAIO DE 1829, VENDÊO AO FINADO COMENDADOR JOSÉ DE SOUZA BREVES.
ESTE ESPAÇO REPRESENTA AS 112 ½ BRAÇAS DAS 312 ½ QUE ANTº ALVES CHAVES, POR CARTA DE SESMARIA OBTEVE, A PARTIR DO MEIO DA BARRA DO RIO BRACUHY, ONDE CONFINA A FAZENDA DE Sta. POR FALLECIMENTO DE CHAVES, TOCARAM ESSAS 112 ½ BRAÇAS A DIOGO PERES DE D’ OLIVa. LARA, POR CABEÇA DE SUA MULHER. DIOGO LARA VENDÊO ESSAS BRAÇAS DE TERRAS AO FINADO COMENDADOR BREVES POR ESCRIPTURA DE 6 DE MAIO DE 1831.
ESTE ESPAÇO REPRESENTA AS 170 BRAÇAS DAS 312 ½ DITAS DE ALVES CHAVES. POR SEO FALLECIMENTO COUBERAM A VIUVA ANNA DE S. JOSÉ E POR FALLECIMENTO D’ESTA EM 1832, FORAM ELLAS ASSIM PARTILHADAS: - A SUA FILHA ANNA 29; A SUA FILHA FELICIDADE 20; A SUA FILHA URSULA 20; A SEO FILHO ANTº 24; A SUA FILHA JOSEFA BREVES 45; A SUA FILHA MARIA LARA DIOGO 17; A SEOS NETOS ANTº E DOMINGOS 24.
( VIDE A NOTA ANEXA )

ESTE ESPAÇO REPRESENTA AS 30 BRAÇAS DAS 312 ½ DITAS DE ALVES CHAVES. POR SEO FALLECIMENTO TOCARAM AO CO-HERDEIRO ZEFERINO JOSÉ DA Sa., MORADOR NA PEDRA DE GUARATIBA E ESTE COM A MULHER, VENDERAM ELLAS AO FINADO COMdor. JOSÉ BREVES, POR ESCRIPTURA DE 5 DE MAIO DE 1840. 
Fonte: UFF, brevescafé, PMAR, Samir Assad, Luís C. C. Jorge, Cimar Pinheiro, acervo pessoal.

Lançamento do Navio Henrique Lage,1961, Verolme.

O ex-Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, participou da cerimônia de lançamento do navio Henrique Lage, no estaleiro Verolme, atua...