Obelisco Dois Rios, Ilha Grande

  
Na Vila de Dois Rios na Ilha Grande, existem 2 obeliscos, sendo um desses o da foto acima que eternizou a inauguração em 1944. O obelisco está localizado na praça central próximo ao antigo estábulo, logo após o antigo presídio.  
Foi fabricado na própria vila e a inauguração ocorreu na administração interina do capitão Manoel Mostardeiro, entre a morte de Nestor Veríssimo e a nomeação do major Heitor Coimbra. Mostardeiro aparece no lado esquerdo da foto,de terno cinza , de óculos, segurando um chapéu , entre dois homens de terno branco. No fundo da foto aparece as instalações do estábulo. 
Segundo informações de Catarina Drumond, filha de Júlio de Castilho, à época administrador do estábulo, ela morou na casa branca que aparece em primeiro plano à esquerda da foto, antes de se mudar para as casas da rua do obelisco que estavam em construção.  
Moraram também nessa rua, ainda segundo Catarina : Demosthenes Gonzales, preso político, esposo da professora Liz (esta lecionava na colônia) e os filhos Sérgio e Maria Augusta. Sady (guarda do presídio) e o telegrafista Moacir Resende. (essa última foto mais atual)
O segundo obelisco aparece na imagem sobre a rocha e foi um marco da construção da estrada Dois Rios/Parnaióca nunca concluída, porém, como pode ser observado na imagem, o trecho construído era bem largo a ponte suportava trafego de veículos.
Nessa outra imagem um pouco mais antiga do mesmo trecho é possível observar o início da construção da ponte e a ausência do obelisco sobre a rocha.
Atualmente ainda é possível ver parte do obelisco envolto pela mata que conseguiu se regenerar e voltou a preencher a paisagem, restando apenas uma trilha bem mais estreita.
Os obeliscos eram um importante elemento na arquitetura do Antigo Egito. As colunas de pedra conhecidas como obeliscos têm quatro lados que vão diminuindo progressivamente e que no topo têm uma pirâmide. O mais antigo deles data de cerca de 4 mil anos. Os obeliscos são cotidianamente construídos nas cidades como um símbolo religioso sem religião fixa. porém sabe se que por uso da igreja católica esse monumento foi construído em larga escala de tempo desde o Imperador Constantino. (Na imagem acima o obelisco em homenagem ao deus sol, construído há mais de 4000 anos, no Egito)
O objetivo desses monumentos era honrar o deus-sol Rá. Foram erigidos para agradecê-lo por sua proteção e pelas vitórias concedidas aos soberanos egípcios, bem como para pedir favores. Acredita-se que seu formato se originou das pirâmides. Eles representam os raios de sol que aquecem e iluminam a terra. Além disso, os obeliscos eram usados para glorificar os faraós. Suas inscrições descrevem vários governantes egípcios como "amado de Rá" ou "belo... como Atum", que era o deus do sol do fim do dia.
Uma dessas inscrições fala a respeito da perícia militar de um faraó: "Seu poder é como o de Montu (deus da guerra), o touro que esmaga terras estrangeiras e mata os rebeldes". Os primeiros obeliscos foram erigidos na cidade egípcia de Junu (a Om bíblica), que se acredita significar "Cidade da Coluna", talvez se referindo aos próprios obeliscos. Após vários anos os obeliscos ganharam função comemorativa e/ou de homenagem, em muitos locais do mundo existem exemplares que saldam heróis de guerra, vítimas de desastres naturais, etc. Fonte: Souza Neto e Catarina Drumond (ex moradores da vila), UERJ e Ilha Grande. 

Lazareto do Abraão, Ilha Grande








A palavra lazareto, de origem italiana, significa hospital de quarentena; nada tem a ver com os leprosos, que eram tratados nos leprosários. (quadro de Nicola Antonio Facchinetti, 1887) 
Desde 1810, o médico da corte Dr. Manuel Vieira da Silva insistia na construção de um lazareto, onde seriam inspecionadas as embarcações que aportavam no Rio de Janeiro, para controle das diversas epidemias que assolavam a cidade. (foto de 1909)
Em agosto de 1849, a fragata inglesa "Apollo", chegou no Rio de janeiro com passageiros com cólera. D.Pedro II mandou encaminhar a embarcação para quarentena na Praia de Palmas, na Ilha Grande. O mesmo ocorreu com a galera portuguesa "Defensora", em maio de 1855. (foto de 1909)
Em 14 de novembro de 1881, o Dr. Nuno Ferreira de Andrade, Inspetor Geral da Saúde da Corte, sugeriu a construção do lazareto na Ilha Grande. (foto de 1909)
A Câmara de Angra dos Reis, manifestou-se contra , devido ao risco que traria para a população. Mesmo assim, o Gabinete determinou a construção em 6 de julho de 1884. (foto década de 40)
Para a realização do projeto, foram compradas as fazendas de Dois Rios e a do Holandês. Grande parte do material utilizado na construção foi importado da França, Inglaterra e Alemanha, sendo trazido o que havia de melhor no ramo de louças, fogões, lavatórios etc. (foto década de 40)
Porém, a pressa que se tinha em abrigar as pessoas que chegavam de viagem comprometeu a solidez do prédio, que logo se deteriorou. (foto década de 40)
A acomodação dos passageiros seguia o mesmo critério dos navios, separando 1ª, 2ª e 3ª classes. Os aposentos de primeira classe tinham seus banheiros privativos, o que na época era novidade. (foto década de 40)
O lazareto funcionou durante 28 anos, de 1885 até 1913. Nesse período foram atendidas 4.232 embarcações e desinfestada 3.367. (foto de 1939, prédio administrativo)
O Imperador D.Pedro II veio pessoalmente conhecer o local em 18 de abril de 1886, a bordo da lancha "Lucy", comboiado pelo navio "Purus" e pela corveta "Trajano".
O imperador retornou ao local em 14 de agosto de 1889, transportado pelo couraçado "Aqidaban", acompanhado pelo "Riachuelo", pela corveta "Trajano" e outras unidades navais.  
No dia seguinte foi até o centro de Angra dos Reis, voltando a pernoitar no lazareto até o dia 17. (na foto o Lazareto ao fundo)
A quarta visita ao local foi a mais dramática, em 17 de novembro de 1889. Antecedeu sua viagem de exílio. Embarcou no Rio de Janeiro, na corveta "Parnayba", seguindo para a Ilha Grande.  (foto dos presos trabalhando no acesso ao presídio do Lazareto, década de 40)
Na enseada do Abraão já lhe esperava o navio à vapor "Alagoas", do Lloyd Brasileiro (companhia estatal brasileira), fretado pelos republicanos. (foto década de 40)
Na noite de 17 para 18 de novembro passou toda sua comitiva, em escaler, do "Parnayba" para o "Alagoas", com o mar muito revolto. No dia 18 de novembro partiu o navio "Alagoas" da Ilha Grande. (foto legendada)
Em outubro de 1917, em virtude da declaração de guerra do Brasil à Alemanha, o governo subordinou provisoriamente o Lazareto da Ilha Grande ao Ministério da Marinha, por motivo de segurança nacional. (planta do Lazareto)
Um mês mais tarde, entretanto, decidiu-se não internar mais ali os prisioneiros alemães e a medida foi revogada, retornando a instituição aos cuidados do Ministério da Justiça e Negócios Interiores (decretos 12.690, 27 out. 1917, e 12.726, 28 nov. 1917). (placa informativa)
Na época, como os diversos portos do país já tinham meios de realizar o controle de saúde, as autoridades não encaminhavam mais todos os navios para a Ilha Grande porque a medida, além de improdutiva, trazia o risco de contaminação ao longo do trajeto. (placa)
As atividades do Lazareto restringiam-se a casos especiais. Contudo a guerra ocasionava devastações de toda ordem na Europa, e algumas epidemias disseminavam-se para outros continentes através do comércio marítimo. (uma manchete de jornal de 1884)
Assim, em novembro de 1918, o Lazareto voltou a centralizar o controle de saúde nos portos, a fim de evitar a cólera. (na foto as antigas celas do presídio do Lazareto)
No final do governo de Epitácio Pessoa, diversos militares que participaram do movimento do Forte de Copacabana, em 1922, foram presos.  
Em 5 de julho de 1924, nova rebelião ocorreu no Rio de Janeiro, já caracterizando uma segunda fase do movimento.
A resistência ao governo prosseguiu após a eleição de Artur Bernardes, que governou o país sob estado de sítio (1922-1926). As contestações eram lideradas pelo governador do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, pelo governador do Rio de Janeiro, Nilo Peçanha, e por militares tenentistas.
As detenções continuaram, e em 1925 o Lazareto foi transformado em prisão militar privativa sob jurisdição do Ministério da Guerra, para pessoas acusadas de crimes políticos. Ao tomar posse em 1926, o presidente Washington Luís declarou o fim do estado de sítio, e em 1927 a prisão militar foi extinta.
Durante o governo de Getúlio Vargas (1930-1945), os prédios do Lazareto voltaram a ser utilizados como prisão política. Aqueles que participaram da Revolta Constitucionalista de 1932 foram enviados para lá. Um dos testemunhos mais completos que temos desse período é o de Orígenes Lessa, preso na ilha por três meses.
Além de uma reportagem de grande repercussão, “Não há de ser nada” (Lessa, 1932), publicou o livro Ilha Grande: jornal de um prisioneiro de guerra, em que relata a chegada dos dois mil presos da revolta de 1932 (Lessa, 1933). Apenas em 1942 o lazareto transformou-se definitivamente em prisão.
Após enormes reformas, foi criada no mesmo local a Colônia Penal Cândido Mendes, que, junto com a Colônia Agrícola do Distrito Federal, instalada em Dois Rios, constituiu um dos mais significativos complexos penitenciários da República.
A política penitenciária da época apostava na recuperação de presos comuns após sua passagem por colônias agrícolas, e uma infraestrutura de grandes proporções foi criada na Ilha Grande. Plantações, oficinas, criação de animais e manutenção da estrada e das demais dependências penais passaram a ocupar o dia dos internos.
A lembrança deles, entretanto, ainda está presente entre moradores da região. Atualmente apesar das ruínas estarem interditadas é comum ver turistas dentro do local, tirando fotos e fazendo poses. Um pedaço da nossa história apagado por um governador sem noção. (foto Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara, 1960-1965). Fonte: Alípio Mendes, UERJ, Arquivo Nacional, Biblioteca Particular Imperial, Alvaro Segneri, Sidney Eustáquio, Nicola Antonio Facchinetti. 

Aqueduto do Abraão, Ilha Grande

O Aqueduto da Ilha Grande teria sido construído, com pedras esculpidas pelos escravos libertos e óleo de baleia, em 1893. Foi construído na região da antiga Fazenda do Holandês, atual area da Praia Preta, Enseada do Abraão. Possui aproximadamente 150 metros de extensão e 11 metros de altura.
A visitação é gratuita. Junto à cabeceira do aqueduto, existe uma pedra em forma de sofá, onde conta-se que Dom Pedro II costumava sentar para ler sobre botânica, escrever seus poemas e desenhar a bela paisagem a que assistia ou os jardins que pretendia construir.
Os aquedutos, foram elevadas estrutura de alvenaria constituída por uma ou mais ordens de arcadas super-postas e erguida para servir de suporte a um canal que se destinava a conduzir a água sobre vale ou outra depressão do terreno.
Foi muito utilizada para suprir a necessidade de água, com grande vazão. Na foto acima se observa a estrutura já em processo de ruínas.
O Aqueduto do Abraão foi construído para abastecer o hospital de quarentena (lazareto). A água, vinda do córrego do Abraão, chegava aos reservatórios através do aqueduto a uma vazão de 1000 litros por hora.
Imponentes e belos, os aquedutos tiveram papel importante no desenvolvimento das civilizações. A estrutura do Aqueduto da Praia Preta impressiona bela grandiosidade, principalmente por ter sido construído em local de difícil acesso.
Os romanos foram os grandes precursores dessa engenharia que consistia em levar água de um ponto a outro sobre arcos construídos de pedra e que apresentavam uma ligeira inclinação para que a água pudesse correr sobre a cantaria. Nas fotos antigas, décadas de 30, 40 e 50 é possível ver a estrutura bem conservada.
Alguns desses imponentes monumentos ainda resistem mundo a fora. Um grande exemplo esta no Rio de Janeiro. (foto década de 50)
O Aqueduto da Carioca (mais conhecido como Arcos da Lapa) também é uma obra do tempo do império. Tão importante quanto os Arcos da Lapa, o Aqueduto na Vila do Abraão faz parte da história do Brasil e é relíquia da Ilha Grande. (foto década de 30)
Na imagem acima os presos trabalhando a terra, proxímo ao Aqueduto, década de 30. As estruturas ainda sem aprentes danos.
Curiosidade sobre os Arcos da Lapa. A partir de 1º de setembro de 1896 (de acordo com O Paiz, 2 de setembro de 1896), os Arcos da Lapa passaram a ser utilizados como viaduto para os bondes de ferro da Companhia de Carris Urbanos, meio de acesso do centro do Rio ao charmoso bairro de Santa Teresa, que se tornou um dos pólos artísticos da cidade e também destino de milhares de turistas. (veja foto abaixo)
Fonte: Dicionário de Arquitetura, IPHAN, Museu do Cárcere. 

Lançamento do Navio Henrique Lage,1961, Verolme.

O ex-Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, participou da cerimônia de lançamento do navio Henrique Lage, no estaleiro Verolme, atua...