Museu do Cárcere, Dois Rios, Ilha Grande

O Museu do Cárcere (MuCa) foi inaugurado em 12 de novembro de 2009, juntamente com o Parque Botânico. Em um lugar marcado por dor e violência, agora a natureza se funde com a cultura. O museu tem como objetivo registrar a história e a memória do Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro, em especial da Ilha Grande. 
O museu mantém em seu acervo elementos fundamentais para a compreensão do sistema prisional brasileiro, e apresenta ao público visões acerca das políticas carcerárias implementadas ao longo do período Republicano, principalmente no Rio de Janeiro, e seus reflexos na sociedade cotidiana.
Desenvolve atividades junto à comunidade, bem como projetos de preservação, investigação e divulgação dos conhecimentos, patrimônio material e imaterial, suporte de memória social, relacionados à história do sistema prisional e da região.
O MuCa está situado no prédio da guarda e na padaria que integravam o Instituto Penal Cândido Mendes, complexo implodido em 1994.
Com uma exposições permanente "100 anos de presídios". Com curadoria da antropóloga Myrian Sepúlveda dos Santos, primeira coordenadora do Ecomuseu Ilha Grande, o espaço foi inaugurado em 2009, a exposição traça um panorama histórico das diferentes unidades prisionais implantadas na Ilha Grande entre os anos de 1894, data em que foi instalado o primeiro presídio na ilha, e 1994, quando foi implodido o Instituto Penal Cândido Mendes.
Comida e Cárcere - A mostra, organizada em três módulos - Aquisição, Preparo e Consumo -, está instalada no prédio da padaria do presídio, com finalidade de apresentar a rotina alimentar na penitenciária localizada em Vila Dois Rios até o momento de sua desativação. Reúne objetos, fotografias e documentos textuais e fílmicos que informam sobre as condições precárias nas prisões: locais e utensílios inadequados ao preparo e consumo dos alimentos, ausência total de higiene e baixa qualidade do que era servido.
O Sistema Penitenciário do Rio de Janeiro (passado e presente). A exposição, com curadoria do historiador Gelsom Rozentino, atual coordenador do Ecomuseu Ilha Grande, é resultado do projeto “História e Memória do Sistema Penitenciário do Estado do Rio de Janeiro”, financiado pela FAPERJ. A mostra busca contribuir para uma visão sobre o funcionamento e a construção das várias unidades penais e hospitalares que integram a estrutura física do sistema penitenciário ao longo da história. Nela, são apresentadas imagens que retratam passagens da história do sistema penitenciário e registros fotográficos, visando identificar diversas atividades que representam o cotidiano nas prisões.
Ecomuseu Sustentável - Criado com a intenção de divulgar os resultados obtidos pelo projeto "Ecomuseu Recicla: alternativas para o desenvolvimento sustentável da Vila Dois Rios a partir do artesanato consciente", apoiado pela FAPERJ, a exposição apresenta obras criadas com materiais recicláveis por artesãos da Vila de Dois Rios.
A mostra, que conta com a curadoria do antropólogo Ricardo Gomes Lima, diretor do Departamento Cultural da UERJ, apresenta objetos criados em pet, tecido, lata e madeira reciclados, que se convertem em fonte de renda e forma de expressão cultural para os artesãos da Ilha Grande.
O Parque Botânico foi inaugurado com um grande replantio de espécies nativas da região. De acordo com a coordenadora do local, Cátia Callado, foram catalogadas mais de mil espécies de plantas, entre ervas medicinais, orquídeas e bromélias.
O Parque, visa identificar, organizar e catalogar espécies vegetais a fim de implantar um acervo de plantas vivas originárias da Ilha Grande. Essa coleção, iniciada em 2009, ocupa a área do pátio interno do antigo Instituto Penal Cândido Mendes, que está recebendo tratamento paisagístico e técnico-científico para o cultivo de espécies da flora que sejam testemunhos da história local. atualmente são produzidas mudas que são usadas em projetos de reflorestamento.
O Museu do Meio Ambiente – MuMA – fica na antiga sede da Fazenda Dois Rios, do século XIX, que também foi utilizada como presídio a partir de 1894 – Colônia Correcional de Dois Rios, onde o escritor Graciliano Ramos esteve preso em 1936.
De acordo com a coordenadora do espaço, Thereza Rosso, a intenção é dar continuidade a diversos projetos que vinculem cultura, preservação e inovação. O museu, a partir de exposições e outras atividades socioeducacionais, tem por objetivo divulgar as pesquisas científicas desenvolvidas sobre a Ilha Grande.
O MuMA foi inaugurado com a exposição "Certos Modos de Ser Caiçara", com curadoria de Ricardo Lima, diretor do Departamento Cultural da UERJ. Para a coordenadora do MuMA, Thereza Rosso, a intenção é dar continuidade a diversos projetos que vinculem cultura, preservação e inovação.
Para a realização dessa exposição, Lima e sua equipe passaram três anos na Ilha Grande, realizando entrevistas, fazendo filmagens e gravando áudios, em pesquisa desenvolvida através de financiamento da FAPERJ. A equipe recebeu doações de objetos de uso pessoal de moradores da ilha.
As instalações do museu também passaram por três anos de obras para receber a mostra. Um dos pontos altos da exposição é a pesca, importante para a sobrevivência da população da Ilha Grande. Na mostra, há uma sala com fotografias e objetos dedicados a essa atividade, mostrando as técnicas utilizadas pelos caiçaras.
Uma delas é a pesca de cerco, prática aprendida com os japoneses que, nos anos 1900, migraram para trabalhar nas fábricas de sardinha da ilha. Em outra sala, a foto de um menino brincando com um barquinho está ao lado de uma vitrine de barcos de brinquedo, feitos pelas próprias crianças da Ilha. Outro destaque é para a casa de farinha, em que a atividade é predominantemente feminina.
Passado e futuro também se misturam quando o assunto é a parte puramente lúdica da exposição. Na parte dedicada às brincadeiras infantis, estão as sementes conhecidas como “olho de boi”, utilizadas para jogar coroanha. Há ainda desenhos feitos pelos pequenos habitantes da ilha especialmente para a exposição. Os visitantes poderão conhecer ainda a Árvore da Vida, uma estrutura com garrafas de vidro penduradas dos galhos. Em cada uma das 60 garrafas, foram plantadas diferentes espécies de plantas medicinais utilizadas na região, como assa-peixe e erva-cidreira. Nos troncos, pequenos receituários em forma de folha poderão ser levados como brindes pelos visitantes e usados como marcadores de livros. As demais imagens retratam um pouco do cotiano dos presídios na ilha. 
Ali, se mostra todo o processo de fabricação da farinha de mandioca, com a fiel reprodução de um forno à lenha, habitualmente utilizado nessa prática.
“Estabelecendo uma comparação entre os principais ofícios femininos e masculinos, podemos perceber que o peixe e a farinha de mandioca se complementam; ninguém se alimenta só de peixe nem só de farinha, o que mostra um certo equilíbrio dos papéis feminino e masculino na sociedade caiçara, estabelecendo, de certa igualdade na importância dos gêneros”, destaca Ricardo Lima.
Nas 3 fotografias acima do Guia João Pontes, o processo artesanal de fabricação da farinha em uma "Casa de Farinha" na Ilha Grande, uma das poucas que restou e que ainda mantém a tradição. 
 Para visitas e informações segue os contatos do Ecomuseu da Ilha Grande: Telefone: (24) 3361-9055 - E-mail: ecomuseu@uerj.br
Horário de funcionamento: de terça a domingo, das 10h às 16h (incluindo feriados, exceto 1/1 e 25/12). Fonte: UERJ, Museu do Cárcere, Ilha Grande.  

Instituto Penal Cândido Mendes, Dois Rios, Ilha Grande

 
A Colônia Correcional foi criada em 1894 e instalada oficialmente em 1903, com o objetivo de afastar da cidade os bêbados e vagabundos (presos comuns).
Durante o período em que esteve em funcionamento na Ilha Grande, a colônia passou por várias reformas, que a transformou em uma grande prisão de muros de altos, onde as fugas eram muito difícil.
Na década de 1940 passou a ser chamada Colônia Penal de Dois Rios. Na imagem um desfile em frente a colonia na Avenida das Palmeiras.
Em 1962, por ocasião da demolição do prédio do Lazareto por ordem do governador Carlos Lacerda, os presos foram transferidos para a Colônia Penal de Dois Rios. (acima a imagem do Lazareto)
Após receber os presos vindo do Abraão a colonia foi rebatizada com o nome de Instituto Penal Cândido Mendes (IPCM). A partir daí adquiriu o status de presídio, considerado de segurança máxima.
Durante o regime militar, os “presos comuns” ocupavam o térreo, o primeiro e o terceiro pisos do edifício central.
Os “presos políticos” ficavam em um regime ainda mais fechado, no segundo piso. Na imagem acima uma vista aérea do presídio.
Foi nesse instituto penal, que em 1979 nasceu um das maiores facções criminosas que assolam o país atualmente, o “Comando Vermelho”.
O presídio também ficou conhecido como "Caldeirão do Diabo ", por conta dos conflitos violentos, castigos impostos e péssimo ambiente.
Voltando ao Comando Vermelho, a facção teria sido criada a partir do convívio entre presos políticos e assaltantes de bancos.  
Este fato, é importante para entender como algumas facções criminosas passaram a se organizar e se fortalecer, alcançando maior destaque e poder, iniciando uma nova era de violência urbana que nos trouxe ao cenário atual.
Em 1985, apenas seis anos após a fundação do Comando Vermelho, foi realizada a mais espetacular fuga da Ilha Grande: José Carlos Encina, conhecido como “Escadinha”, líder do Comando Vermelho, conseguiu fugir do presídio em um helicóptero.
A complexidade da fuga demonstrou alto nível organização, deixando todos apreensivos sobre o que estava por vir.
Em dias de visita a Ilha Grande ficava cheia, os familiares dos presos vinham aos montes como pode ser visualizado na imagem acima da década de 70, (foto de Sérgio Orestes Ribeiro).
As visitas não eram frequentes e alguns presos tinham uma cadelinha de estimação com quem mantinham relações. Na foto acima pode ser vista a presença dos pets no pátio interno do presídio.
A colônia pertenceu ao extinto Estado da Guanabara como pode ser verificado na imagem acima, ainda chama atenção o poder de fogo do oficial.
O responsável pela obra do presídio em 1940 foi o Engenheiro Alberto Haas, conforme a placa de identificação acima. Seu nome também está em uma rua no bairro do Jacarezinho no Rio de Janeiro.
Na época da construção era costume utilizar a mão de obra dos detentos, prática que reduzia a pena em caso de bom comportamento.
A história do presídio é importante porque tem um elo direto com a história política e dos direitos civis do Brasil.
Muitos presos políticos estiveram na Ilha Grande, como: Orígenes Lessa, por ter participado da Revolução Constitucionalista; Graciliano Ramos, acusado de ser comunista; Agildo Barata e muitos outros líderes do Partido Comunista; Nelson Rodrigues Filho e diversos membros de partidos políticos de esquerda que lutaram contra o golpe militar de 1964.
Os moradores da ilha, principalmente das regiões mais distante do presídio, possuem experiências pavorosas em relação a fuga de presos, segundo moradores, os presos eram violentos, entravam nas casas, comiam a comida, roubavam as roupas, abusavam sexualmente das mulheres, assassinavam moradores e roubavam embarcações. (imagem da implosão em 1994)
Em 1993 o Instituto Penal Cândido Mendes na Vila Dois Rios foi desativado, sendo parcialmente implodido em abril de 1994, por ordem do governador do Rio de Janeiro Leonel Brizola.
A desativação das instalações carcerárias na Ilha Grande, foi muito importante para o desenvolvimento do turismo no local, com uma localização privilegiada, próxima a dois grandes centros urbanos extremamente desenvolvidos, Rio de Janeiro e São Paulo, que são atualmente os principais centros emissores de turistas nacionais.
Muitos protestaram contra a implosão, o governo alegou falta de recursos para promover uma reforma que o transformaria em museu, assim por motivos de segurança, já que estava em ruínas a implosão foi apontada como única saída.
Após a implosão, o turismo rapidamente se tornou a base da economia local, com a presença de milhares de visitantes anualmente. Todo esse fluxo de turistas, porém, vem ocorrendo de forma acelerada e desordenada, o que resulta em graves ameaças à preservação da natureza, história e cultura da região.
Ainda em 1994, o Governo do Estado do Rio de Janeiro concedeu à UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), as áreas anteriormente ocupadas pela Colônia Penal Cândido Mendes na Vila Dois Rios.
De acordo com o Termo de Cessão de Uso nº 21, de 18/10/1994, a UERJ passou a ser cessionária das antigas instalações e benfeitorias remanescentes das extintas Colônias Penal e Agrícola ali existentes.
Este termo previa as implantações de um centro de estudos e de um museu que buscassem preservar e dinamizar os vários aspectos que envolvem a memória e o ecossistema da Ilha Grande.
Desde 2009, o acervo do IPCM, está disponível no Museu do Cárcere na Vila de Dois Rios, sendo administrado pela UERJ.  
Nas últimas fotos do artigo é possível visualizar uma parte do acervo do Museu do Cárcere. Fonte: Graciliano Ramos, UERJ, Caiçaras.  

A Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, Dois Rios Ilha Grande

 
A Capela de Nossa Senhora do Bom Despacho, construída em 1938. É um patrimônio local especialmente valorizado pelos moradores das Vilas de Dois Rios e Abraão, e foi totalmente restaurada.
Quase totalmente desconhecida da população das demais praias, só é conhecida por aqueles que visitam a Vila de Dois Rios.
O título “Bom Despacho” tem sua origem no mundo jurídico, onde “Despacho” significa decisão, encaminhamento, resolução dada por um juiz. Tal decisão, no mundo jurídico, pode ser boa ou ruim, dependendo do entendimento do juiz.
Por isso, os católicos de Portugal começaram a venerar Nossa Senhora com o título de “Bom Despacho das Almas” (este era o título original da devoção. (nas fotos é possível observar mudanças nas cores da capela)
Tal título significa que, por sua intercessão, as almas dos falecidos conseguirão obter um “Bom Despacho” do supremo Juiz, que é seu Filho Jesus Cristo, encaminhando-as para o céu depois da morte. (acima foto da década de 80)
Assim, Nossa Senhora do Bom Despacho é uma devoção mariana que pede pelos fiéis falecidos. Sabendo que todos somos pecadores, pedimos a Nossa Senhora que obtenha para nós um “bom despacho” no momento de nosso julgamento.
A religiosidade local conta ainda com um oratório em frente ao museu do cárcere com a imagem de Nossa Senhora, é parada obrigatória para os católicos que visitam a localidade e também de turistas e visitantes que não perdem a oportunidade de tirar uma boa foto.
Antes da atual capela, existiu a chamada "Velha Capela", esta primeira construção foi demolida, sendo uma das perdas mais lamentadas por historiadores, fiéis e residentes. (na foto acima a construção no alto do morro)
Na imagem colorizada tem-se uma dimensão melhor do que foi a antiga capelinha, lembrada apenas nas poucas fotos e na memória de quem teve o privilégio de conhece-lá.
A capelinha situava-se num "morrete" próximo à entrada das palmeiras, de lá a vista da colônia é linda. Algumas informações sem confirmação possível, pois foi transitida pela oralidade afirmam que o nome do Santo Padroeiro da referida Capela era “Nossa Senhora dos Homens”. (foto da reconstrução da capela). Fonte: Diocese de Itaguaí, Museu do Cárcere, Souza Neto (ex morador), Helio Paz. 

Lançamento do Navio Henrique Lage,1961, Verolme.

O ex-Presidente Humberto de Alencar Castelo Branco, participou da cerimônia de lançamento do navio Henrique Lage, no estaleiro Verolme, atua...